Carlos Drummond de Andrade

"Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar"
(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 13 de julho de 2013

Máquinas e Recicláveis

 I

Fizeram-nos reciclaveis
Tipo: papa-tudo dos esgotos da cidade
Consumistas absurdamente insensatos
Desgenerados, dementes, desgraçados

Somos os palhaços dum circo sem lona.
Quem rir? Quem lucra com a nossa loucura
O palestrante que trabalha a auto-ajuda
Quem ganha em prol da nossa desventura

A conclusão é que somos pobres farrapos
Alienados sem limite
Tristes caveiras ambulantes - escravas do próprio ego
Trapos deslumbrados com a rara sorte
O filho pródigo da vida
Bagaços das barganhas da morte.

 (09/03/2011)



II
 
Máquinas, máquina, máquinas
Máquina que mata
Máquinas que maquinam a matança
São as maquinas que nos dar esperança
Máquinas, sempre máquinas!

Máquinas que registram
Máquinas que controlam
Máquinas que disciplinam
O mundo é uma fábrica de máquinas

Máquinas que pensam
Máquinas que não pensam nada
Máquinas que controlam o tempo
Máquinas em todo canto da casa

Máquinas para prever o futuro
Maquinas que prolongam a vitalidade
Máquinas que dizem o que penso
Máquinas que só falam a verdade

Máquinas que escravizam a vida
Máquinas que não poupam – papam
Máquinas que os vermes comem
Máquinas que o chão não traga

Máquinas humanas
Máquinas de lama
Máquinas que traçam
Máquinas de aço... Máquina é sempre máquina






    
Rezem para que eu não esteja viva daqui a cem anos
Ou tudo que sei da terra será muita informação para a carreira do mundo.
Entretanto...
Sou aquela que o mundo precisa para entender a geração de hoje
Que por sinal, nem sei qual é.

              FÊNIX

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