Carlos Drummond de Andrade

"Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar"
(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 1 de setembro de 2013

O lado preciso de alguém secreto



Os meu amor secreto é tão secreto que nem sei se existe
Não consigo encontrar alguém perfeito pra mim
E sempre que acho que encontrei... É dividido
Parcelas não preenchem o meu vazio
Busco alguém para dedicar a minha música
Alguém com um jeito novo, com um abraço aconchegante
Uma mente livre, uma vida leve, um estilo elegante.
Alguém que saiba lidar com a minha inconstância,
Que decodifique as minhas necessidades
Que enxergue as minhas qualidades e saiba o jeito certo de falar as coisas
Busco alguém para compartilhar projetos
Para ouvir e cantar músicas no parque
Para fazer piquenique aos finais de semana
Para viajar sem roteiro
Para embarcar nas minhas loucuras
Quero alguém que seja marcante em minha vida
Que o tempo não apague
Que o breve não consuma
Que a distância não rasgue
Que me inspire e traga saudade
Quero alguém singelo e complexo
Simples a ponto de ser humilde e terno
Complexo a ponto de ser instigante
Completo a ponto de ser o conjunto de acordes perfeitos.

(01/082013)
 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

MÚSICA: Marcelo Jeneci - Pra sonhar




PRA SONHAR
(Marcelo Jenece)


Quando te vi passar fiquei paralisado
Tremi até o chão como um terremoto no Japão
Um vento, um tufão
Uma batedeira sem botão
Foi assim viu
Me vi na sua mão

Perdi a hora de voltar para o trabalho
Voltei pra casa e disse adeus pra tudo que eu conquistei
Mil coisas eu deixei
Só pra te falar
Largo tudo

Se a gente se casar domingo
Na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?
Ave maria, sei que há
Uma história pra sonhar
Pra sonhar

O que era sonho se tornou realidade
De pouco em pouco a gente foi erguendo o nosso próprio trem,
Nossa Jerusalém,
Nosso mundo, nosso carrossel
Vai e vem vai
E não para nunca mais

De tanto não parar a gente chegou lá
Do outro lado da montanha onde tudo começou
Quando sua voz falou:
Pra onde você quiser eu vou
Largo tudo

Se a gente se casar domingo
Na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?
Ave maria, sei que há
Uma história pra contar

Domingo
Na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?
Ave maria, sei que há
Uma história pra contar
Pra contar

MÚSICA: ANA CAÑAS (Nando Reis) - Luz antiga


                            

LUZ ANTIGA - ANA CAÑAS 
(NANDO REIS)

Eu só queria que você cuidasse
Um pouco mais de mim como eu cuido de você
Cuidar é simplesmente olhar
Pra um mundo que você não vê

Pra medir o amor não existe cálculo
Um mais um pode não ser dois
Sentir a sua liberdade
Desejo que não é sonho é mera ilusão

Se não sabe, se afaste de mim
Se ainda cabe, me abrace enfim

Só ligue se tiver vontade
Só venha se quiser me ver
Mentira é pura vaidade
De quem precisa se esconder

Será que eu vejo apenas o que você não vê
Eu não entendo como você não pode perceber
Que eu não sei mais, eu não sei mais
Eu não sei mais, eu não sei mais
Eu não sei mais o que fazer

O sangue é o rio que irriga a carne
A alma é margem e o contorno
É luz antiga ao fim da tarde
De uma saudade sem socorro

Se não sabe, se afaste de mim
Mas antes que seja tarde nos salve do fim

Reflexão: Cativos da reprodução de ideias.



Não nasci para ser mais uma Maria –Pensei - Tenho uma identidade cultural, social, intelectual e todos os “al” que eu quiser – afinal, sou livre. Estes eram os murmúrios do meu pensamento revolucionário até pouco tempo. Desconstruíram o meu universo particular; fui metaforicamente desfragmentada pelas teorias e experimentos do cotidiano. Pecheux, Bakhtin, Saussure, Durkheim, Comte, Paulo, Focault... Tantas cabeças pensantes que não cabem em recados íntimos. Após conhecer -superficialmente- a Análise do discurso, as vertentes ideológicas ganharam novos rumos, diria até uma “amadurecência” quase instantânea. Entrei na estrada da reflexão: quem sou, o que penso, e principalmente acerca dinâmico e silencioso processo de Xerox metamórficas.
De repente numa ação de atividade cerebral tão natural, fui obrigada a concordar que sou a cópia famigerada de alguém. Não há portas para a independência social - deram-me os espelhos e vi o mundo doente da geração coca-cola; somos objetos do meio e do fim – Somos sempre a largada do fim e o início de um novo ciclo antigo. Não importa o que façamos, aonde vamos ou o que pensamos, seremos sempre cativos reprodutores de ideias.


10/07/2013


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A poesia não pode ser mensurada






As melhores poesias
São sempre as mais simples e inteligentes
As mais inesperadas
As mais loucas – as mais rápidas
A melhor poesia é aquela que toca a alma

O conceito de melhor depende muito de quem sente
De quem vive e de quem fala
A melhor poesia não obriga à rima,
Não precisa de estética
Não precisa de escala

As melhores poesias
Vem como um raio
Que a espiritualidade exala
São sinceras
São abertas e sempre armadas

A poesia pode ser doce, azeda ou amarga
O poeta brinca com as letras
E transforma vinho em água
A verdade é que não há a melhor poesia
Ela não pode ser mensurada
Cada poesia é rica em sua causa

Escrever não é tipo: receita de liquidificador
Nesse processo não é a métrica quem faz o bolo
A poesia desanda e sola se não houver sensibilidade em jogo
_
O segredo do fazer poético
Está no néctar da energia do poeta
E cada poeta é um estranho ímpar
Assim concordaria – genericamente - Carlos Drummond de Andrade.

 05/08/2013

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Música de Hoje: Coisas que eu sei - Danni Carlos

...

Eu quero ficar perto de tudo que acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência meu pacto com a ciência
Meu conhecimento é minha distração

Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio mostra o tempo errado
Aperte o Play...

Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado pra visitação...

Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei se eu for eu vou assim
Não vou trocar de roupa
É minha lei...

Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei...

Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar
Eu já comprei...

As vezes dá preguiça na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando tô a fim...

Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia...

Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia...
Agora eu sei...
Agora eu sei...
Agora eu sei...
Ah! Ah! Agora eu sei!

(Coisas que eu sei - Danni Carlos)

Reflexão com imagem

MOMENTO DE REFLEXÃO


segunda-feira, 29 de julho de 2013

História de Professor: Marginais ou artistas - Como você ver?



História de Professor


Autor: Maria Tamires Almeida Silva


Março de 2004, turma B do Supletivo da Paulo Freire – totalmente avessa ao princípio filosófico do teórico-, num bairro periférico de Marauê.  E lá estava eu, professora recém formada, cheia de sonhos, projetos mentalmente estruturados e uma turma antagonista aos meus desejos de transformação –posto revolução- do ensino minguado, débil e todos os adjetivos inferiores. Num prévio diagnóstico institucional percebi que o problema na educação não era decorrente apenas dos alunos, mas de um conjunto de fatores que contrariavam a minha ideologia, começando pelo regimento sistemático escolar.
Naquela noite entrei na sala no horário pré dito pelas regras, aquele frio na barriga e a ansiedade também não fugiram a regra, deparei-me com uma realidade incomum que me arremessou – espiritualmente- contra a parede, registrei cada centímetro da sala, lado direito: alunos jogando dominó, -apostando drogas e álcool- lado esquerdo grupo de hip hop cantando músicas de apologia ao crime, meninas aparentemente menores com vestidos curtos, brincos extravagantes e mascando chicletes de uma forma incomum.
Eu entrei... E eles nem notaram, o meu cérebro e coração correram a mil por hora, e aquela total falta de respeito com a minha posição profissional – professora- me deixou fora do ar por alguns segundos, depois me sentei no birô e me pus a observar aquela realidade – o meu diagnóstico foi posto como “alunos desestimulados” que observam as salas de aula como um meio de obter um certificado de conclusão - e só, -não os culpei por isso- pois foi o que aprenderam. Os minutos que passei observando-os trouxeram a tona os conselhos que recebi dos professores- uma espécie de manual de sobrevivência na selva- as vozes deles soavam como estrondos que me empurravam para o tradicionalismo gritante, mais que isso, para o não cumprimento da minha função como professora. Eles não acreditavam no potencial dos alunos, não enxergavam habilidades e nem trabalhavam o desenvolvimento de aspectos cognoscitivos, mas a minha sensibilidade captava muitas qualidades que eles possuíam e o meu pensamento logosófico abraçava a crença da superação humana e a valorização da existência.
            Finalmente o sinal tocou , assim como me tocou aquele diagnóstico parcial. Sair da sala com a certeza de que mais que nunca deveria abraçar a função de semeadora e não de praga. No dia seguinte cheguei com um rádio tocando “Os ratos” – Banda de Hip Hop- com isso chamei a atenção de todos, entrei na realidade deles, olhei para cada um e lancei um discurso que certamente mexeu com o psicológico -chocou- , fiz com que se sentissem importantes, com direito a opinar, discutir, produzir... Enfim, dei-lhes sentido prático, uma nova abordagem metodológica - sem o engessado tradicionalismo integral -, e  pela primeira vez eles assistiram a uma aula sem reclamar- Só um pouco (risadas), mas entenderam o recado, morô?!. 
         Com o passar do tempo já me sentia professora -aluna- da turma - aprendi a respeitar diferenças sociais e intelectuais e não tornei-as obstáculos para justificar um possível fracasso, converti-as em pontos positivos e explorei-os, Em suma, ensinar é um laboratório de pesquisas, diagnósticos e ações, e no ato de fazer  precisamos escolher não o que é aparentemente cômodo, mas o que é justo - dentro do conceito mais idealista possível. Desenvolvi projetos educacionais que trabalhavam as habilidades que eles possuíam, acabei descobrindo grandes poetas e construir apaixonados pela Gramática.
Daniel era um ótimo compositor, Talita uma excelente cantora, Danilo um extraordinário beat Box, Marcos um desenhista habilidoso, Sandro um DJ que agitava a galera, e eu reunir todos e formamos uma equipe de “aulas Show” (consistia-se em trabalhar os aspectos da produção de textos e compreensão da Língua Portuguesa de forma lúdica, levar as salas de aula a reflexão moral e cívica através das artes em suas diversas manifestações (música, pintura, desenho, literaturas)), e um adicionava em seu acervo de conhecimento as habilidades que o outro possuía, fazendo com que todos vivessem em sintonia e ampliassem o que sabiam. Juntos, formamos a batida perfeita. Essa ideia gerou vários títulos e contribuiu para a formação social e psicológica da turma B, a gigante pouco notável.
Meses após o tão sonhado e merecido reconhecimento, sofri um acidente automobilístico, perdi os movimentos das pernas e tenho uma paralisia facial, mas as minhas mãos continuam trabalhando, hoje, não sou atuante nas salas de aula, na verdade tive apenas algumas turmas, mas não deixei de ser educadora, tenho a função de transpassar uma filosofia – um ideal que deu certo. Se todos os educadores trabalhassem em prol da transformação educacional e tivessem a sensibilidade para perceber qualidades onde poucos enxergam, e desenvolvessem a habilidade de polir pedras preciosas, certamente encontrariam muitos Marcos e Sandro. Produziriam pensadores, construtores de projetos de sucesso ao invés de reprodutores de conceitos falidos. Eu acreditei no potencial dos meus alunos, exerci a minha proficiência como educadora, fiz um diagnóstico otimista acerca de uma turma com alunos vistos como irrecuperáveis e transformei-os em artistas.