Carlos Drummond de Andrade

"Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar"
(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 19 de maio de 2012

O CAMINHO DA HUMANIDADE


Tudo muda o tempo todo

O tudo que tudo tem

As vezes fica vazio por não ter ninguém– E EU?

Todo mundo precisa de tudo – até da morte

Mas o que é tudo quando se tem muito?

O que é muito quando o tudo que ainda tenho é nada?

O que é nada quando o tudo é tudo e nada é tudo que resta?

O que resta depois do tudo?

Tudo bem?!

O mundo não se importa com ninguém

Estar vivo porque não consegue se autodestruir

Ou será que prefere brincar de xadrez?

Sei La!

O mundo fica

O corpo humano se desintegra

Os ciclos não cessam

Tudo recomeça após a primeira badalada do sino

A natureza se reconstrói

O ser humano se destrói...

E assim caminha a humanidade mórbida.

domingo, 13 de maio de 2012

UTOPIA


Ainda vivo na utopia de criança
Acredito na perfeição dos seres
No príncipe encantado dos contos
Nas histórias da carochinha
Ainda acredito na fé
Em anjos que nunca vi, mas sei que existem
O meu lado mulher me leva a ciência
O meu lado menina me prende a sábia inocência
Quanto contraste!
Pra que lado voou?
E numa rima sem rima me perco no caminho das palavras
Sei que quero me encontrar em algum lugar- em alguém, quem sabe?!
Sei que gosto de escrever cousas de mim e do mundo
Cousas que certamente serão de alguém algum dia
Nas letras encontro o meu testemunho
Descrevo as mentiras que só eu acredito
As verdades que o mundo procria
Que injustiça acreditar somente na verdade unilateral
A verdade é a mentira fria- depende do ângulo que se espia
Com temor digo: Serei poetisa de direito – Um dia.
E ao pensar em Rimbald, Drumond, Augusto, José, João, Antônio, Zé
Serei a Fênix – Afinal todos somos
O pássaro sem endereço certo – posto corpo
Aquele que transmuta entre os níveis da existência
A andarilha movida pelas convicções dos mundos
A mulher que programaram para não acreditar na imortalidade do espírito
E preferiu seguir a intuição
Vistes? Ainda sou aquela garotinha.



25.03.2012                                              
Fênix

ESCREVO...


Escrevo porque sinto vida nas palavras
Escrevo para ouvir o meu mundo
Escrevo para armar teias e quebrar telhas
Escrevo para não acabar caduco

Escrevo quando quero amenizar as dores – é tipo morfina
Escrevo para ferir a morte
Passar trote na tristeza
Atrair a sorte                                  
Escrever deixa-me viva

Escrevo para falar do dia
Escrevo para falar das flores
Escrevo para falar do tempo
Dos amigos, das lembranças, dos amores...

Escrevo para falar de mim
Falar dos monstros
Escrevo para não ser mais uma parasita
Viajando na poesia dos outros.


17.11.2010
Fênix

AO DESPERTAR

Amanheceu
O sol invadiu o meu quarto
O vazio deitou-se em minha cama
E o silêncio beijou-me a boca
Senti uma confortante sensação de segurança ...
Era só a brisa tocando o meu ego
E assim, agradeci a gentileza.
Estou viva – ligeiramente Pensei.
Dia após dia adormeço
Acordo e percebo que estou à solidão
Afundando nos meus pesadelos
Alimentando o medo de gozar a vida
Dia após dia sinto o tempo roubando – sem esforço – a minha beleza
...

Vai-se os meus sonhos de criança
Vai-se as loucuras de adolescente
Vai-se tudo – inclusive o tempo – inclusive a vida
Vai-se as primaveras
Morrem as rosas e margaridas
Vai-se o mundo para o buraco escuro
Vai-se...
Vou nessa ida.

(17.11.2010. FÊNIX)