Carlos Drummond de Andrade

"Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar"
(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A ILHA DA IDA



Amanheceu
O sol invadiu o meu quarto
O vazio deitou-se em minha cama
E o silêncio beijou-me a boca
Senti uma confortante sensação de segurança
... Era só a brisa tocando o meu ego
Mesmo assim Agradeci a gentileza
Estou viva – ligeiramente Pensei
É, dia após dia adormeço
Acordo e percebo que estou à solidão
Afundando nos meus pesadelos
Alimentando o medo de gozar a vida
Dia após dia sinto o tempo roubando – sem esforço – a minha beleza
Vai-se os meus sonhos de criança
Vai-se as loucuras de adolescente
Vai-se tudo – inclusive o tempo – inclusive a vida
Vai-se as primaveras
Morrem as rosas e margaridas
Vai-se o mundo para o buraco profundo
Vai-se...
Vou nessa ida.        

  (17/11/2010)

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